sexta-feira, 6 de abril de 2018

REMEDIOS PARA EMAGRECER-MILAGRES DE VICTOSA E SAXENDA

Tomar Victoza ou Saxenda para emagrecer não faz sentido!! Seu componente, a Liraglutida, análoga ao peptídeo similar ao receptor de glucacon 1 (GLP1, do inglês ...glucagon-like peptide 1), é usada no tratamento de diabetes por estimular a liberação de insulina e inibir o glucagon. Ou seja, é um medicamento que promove a absorção de nutrientes e não sua queima. O único efeito que ele poderia ter no emagrecimento seria uma possível inibição do apetite por ações no cérebro ou retardo no esvaziamento gástrico, mas a relevância disso é questionável. Tanto que a maioria dos estudos sobre o tema não encontraram perda de peso, mesmo em pessoas obesas (Harder et al., 2004; Madsbad et al., 2004; Feinglos et al., 2005; Seino et al., 2008; Jendle et al., 2009; Nauck & Marre, 2009; Kaku et al., 2010). E os poucos que encontraram efeitos positivos reportaram reduções de 1 a 4 quilos após 14 a 26 semanas, isso em pessoas obesas (Nauck et al., 2006; Vilsboll et al., 2007; Astrup et al., 2009; Russell-Jones et al., 2009)! Na revisão de Dong et al. (2017) se estima que, considerando a eficiência MÁXIMA esperada, uma pessoa de 106kg chegaria a 101,13kg após três anos com a droga! Se alguém alega ter emagrecido, pode ter certeza que não é um efeito direto do remédio. Provavelmente ao resolver pagar caro pela terapia, também ocorrem mudanças comportamentais (alimentação e exercício) que, elas sim, ajudam a emagrecer.
Mas não para por aí! Além de náusea, alterações gastrointestinais, pancreatite e problemas renais serem comuns (FDA, 2015), existe um problema muito mais grave para quem não é diabético. Você vai jogar muito mais glicose para dentro da célula do que precisa, baixando as concentrações sanguíneas. Com isso, o cérebro perde sua principal fonte de energia, com risco de tonturas, desmaios e morte neuronal! Isso mesmo, você pode ter danos cerebrais! Ah, também é recomendável cuidado com tendências suicidas e câncer (Golden, 2017)!
Entenda que esse medicamento não tem função de queimar gordura! Entenda que não há NENHUM estudo demonstrando que ele emagreça de maneira expressiva! Entenda que ele é perigoso!! Entendido?
Definições de charlatão "mercador ambulante que vende drogas e elixires reputados milagrosos, atraindo e iludindo o público". Quantos profissionais de saúde você conhece que se encaixem nessa definição?
(Paulo Gentil)
Astrup A, Rossner S, Van Gaal L, Rissanen A, Niskanen L, Al Hakim M, Madsen J, Rasmussen MF & Lean ME. (2009). Effects of liraglutide in the treatment of obesity: a randomised, double-blind, placebo-controlled study. Lancet 374, 1606-1616.
Dong Z, Xu L, Liu H, Lv Y, Zheng Q, Li L. (2017) Comparative efficacy of five long-term weight loss drugs: quantitative information for medication guidelines. Obes Rev. Dec;18(12):1377-1385
FDA. (2015b). Saxenda 2016. Retrieved from https://www.accessdata.fda.gov/…/lab…/2015/206321s001lbl.pdf
Feinglos MN, Saad MF, Pi-Sunyer FX, An B & Santiago O. (2005). Effects of liraglutide (NN2211), a long-acting GLP-1 analogue, on glycaemic control and bodyweight in subjects with Type 2 diabetes. Diabet Med 22, 1016-1023.
Golden A. (2017) Current pharmacotherapies for obesity: A practical perspective. J Am Assoc Nurse Pract. Oct;29(S1):S43-S52.
Harder H, Nielsen L, Tu DT & Astrup A. (2004). The effect of liraglutide, a long-acting glucagon-like peptide 1 derivative, on glycemic control, body composition, and 24-h energy expenditure in patients with type 2 diabetes. Diabetes Care 27, 1915-1921.
Jendle J, Nauck MA, Matthews DR, Frid A, Hermansen K, During M, Zdravkovic M, Strauss BJ & Garber AJ. (2009). Weight loss with liraglutide, a once-daily human glucagon-like peptide-1 analogue for type 2 diabetes treatment as monotherapy or added to metformin, is primarily as a result of a reduction in fat tissue. Diabetes Obes Metab 11, 1163-1172.
Kaku K, Rasmussen MF, Clauson P & Seino Y. (2010). Improved glycaemic control with minimal hypoglycaemia and no weight change with the once-daily human glucagon-like peptide-1 analogue liraglutide as add-on to sulphonylurea in Japanese patients with type 2 diabetes. Diabetes Obes Metab 12, 341-347.
Madsbad S, Schmitz O, Ranstam J, Jakobsen G & Matthews DR. (2004). Improved glycemic control with no weight increase in patients with type 2 diabetes after once-daily treatment with the long-acting glucagon-like peptide 1 analog liraglutide (NN2211): a 12-week, double-blind, randomized, controlled trial. Diabetes Care 27, 1335-1342.
Nauck M & Marre M. (2009). Adding liraglutide to oral antidiabetic drug monotherapy: efficacy and weight benefits. Postgrad Med 121, 5-15.
Nauck MA, Hompesch M, Filipczak R, Le TD, Zdravkovic M & Gumprecht J. (2006). Five weeks of treatment with the GLP-1 analogue liraglutide improves glycaemic control and lowers body weight in subjects with type 2 diabetes. Exp Clin Endocrinol Diabetes 114, 417-423.
Russell-Jones D, Vaag A, Schmitz O, Sethi BK, Lalic N, Antic S, Zdravkovic M, Ravn GM & Simo R. (2009). Liraglutide vs insulin glargine and placebo in combination with metformin and sulfonylurea therapy in type 2 diabetes mellitus (LEAD-5 met+SU): a randomised controlled trial. Diabetologia 52, 2046-2055.
Seino Y, Rasmussen MF, Zdravkovic M & Kaku K. (2008). Dose-dependent improvement in glycemia with once-daily liraglutide without hypoglycemia or weight gain: A double-blind, randomized, controlled trial in Japanese patients with type 2 diabetes. Diabetes Res Clin Pract 81, 161-168.
Vilsboll T, Zdravkovic M, Le-Thi T, Krarup T, Schmitz O, Courreges JP, Verhoeven R, Buganova I & Madsbad S. (2007). Liraglutide, a long-acting human glucagon-like peptide-1 analog, given as monotherapy significantly improves glycemic control and lowers body weight without risk of hypoglycemia in patients with type 2 diabetes. Diabetes Care 30, 1608-1610.

EMAGRECIMENTO, SAUDE , COMERCIO E SEMI DEUSES

Questionei o uso da liraglutida para emagrecimento e houve um ataque coordenado de pessoas que lucram com isso ou que deturparam a mensagem. Interessante que ci...tei diversos artigos e o esperneio foi que houve generalização, que eu era desqualificado, que só médico poderia abordar o tema...
Em primeiro lugar, argumento de autoridade e complexo de semi-Deus nem precisa ser discutido, pois é imbecilidade. Dizer que houve generalização é falta de interpretação do texto pois eu falo de uma maneira bem clara do problema que é vende-lo como sendo uma grande estrela no emagrecimento, já que não há MUITO emagrecimento (se isso não estava claro, que fique agora).
Nas tentativas de apresentar evidências, cita-se um estudo publicado no NEJM por Pi-Sunyer et al. (2015). Nele, pessoas obesas (média>100kg) usaram o medicamento por 56 semanas e perderam o adicional de 5,6 kg. Imagina o diálogo: “Olha, Seu José, hoje você tem 106kg e com o tratamento você vai conseguir chegar a 100,4kg ao final de 13 meses!! Ah, você tem uma boa probabilidade de ter diversos efeitos colaterais!”. Entenda que charlatanismo é prometer milagre, se alguém está “vendendo” a liraglutida prometendo uma perda de peso menos que 0,5kg por mês, não precisa se preocupar com isso.
Eu aceito que pode haver resultados maiores na prática clínica, mas aí não há controle de variáveis intervenientes, e ninguém poderá assegurar se foi devido ao remédio ou a qualquer mudança comportamental. Também aceito que no estudo há pessoas que têm resultados superiores, mas não se pode garantir ao paciente que ele será o bom respondedor. Além disso, isso tem dois lados, pois como o desvio da média é grande, o paciente também poderia “engordar” diante da terapia. Nesse caso, a discussão cai para o campo das perspectivas, se o profissional e paciente decidem que o custo-benefício compensa, então manda ver. Mas eu me posiciono de maneira muito crítica sobre isso, pois há coisas mais baratas, seguras e eficientes, como as mudanças comportamentais.
Enfim, não questiono o uso clínico e tampouco digo que todos que prescrevem o remédio são charlatões. Mas me assustada ver a prescrição com fins estéticos ou como cura da obesidade.
(Paulo Gentil)
Pi-Sunyer X, Astrup A, Fujioka K, Greenway F, Halpern A, Krempf M, Lau DC, le Roux CW, Violante Ortiz R, Jensen CB, Wilding JP; SCALE Obesity and Prediabetes NN8022-1839 Study Group. A Randomized, Controlled Trial of 3.0 mg of Liraglutide in Weight Management. N Engl J Med. 2015 Jul 2;373(1):11-22. doi: 10.1056/NEJMoa1411892.

MAIS RESULTADOS EM MENOS TEMPO?

(Para evitar mimimi, aviso que texto é sobre produtos que prometem milagre e não sobre reabilitação, ok?).
Vocês pediram e fui ver vídeos desses troços... quas...e enfartei! Dizem que é foda por durar 20 minutos! Mas em menos tempo dá para fazer um belo treino intervalado (HIIT) e/ou de musculação! Por exemplo, duas séries máximas de leg press, flexora, supino e puxada não leva isso. O mesmo vale para vários tipos de HIIT (um Tabata, por exemplo, dura 4 minutos!)! Inclusive existe uma falha conceitual ao prometer estimular os músculos por 20 minutos, sem parar. Se você ficar esse tempo todo em contração, pode ter certeza que o estimulo é tudo, menos intenso! Aliás, se o aparelho gerasse um estímulo intenso, não daria para fazer macaquices, pois você ficaria paralisado devido às contrações!
Além disso, mecanismos internos interrompem o exercício quando se percebe um possível risco (temperatura alta, danos teciduais, depleção de reservas energéticas...). Mas o controle não funciona, pois a contração é gerada por mecanismos externos. Inclusive já há relatos de rabdomiólise (dano muscular severo, que pode danificar diversos inclusive os rins) causados por essas parafernálias (Malnick et al., 2016). Outro problema é que o corpo funciona de maneira integrada: envio de estímulo pelo sistema nervoso central, feedback e integração de diversos órgãos. E, olha que beleza, modelos animais mostram que eletroestimulação pode danificar vários órgãos, incluindo testículos e adrenal (Bomba et al., 2001; Kowalski et al., 2001; Szarek et al., 2003). Outra questão prática é que um mesmo estímulo pode gerar contrações completamente diferentes em pessoas diferentes. Como esses aparelhos conseguiriam individualizar os parâmetros?
Por fim, que baboseira é essa de emagrecer, acabar com a celulite e produzir colágeno? Tão achando o que? Que banha morre eletrocutada? Ou que a pele vai esticar na base do susto? Vamos parar de procurar resultados sem esforço, meu povo! Quer ativar bem seus músculos? Treine com altas cargas e/ou até a falha! Isso sim aumenta a massa muscular e ajuda a emagrecer!
PS: precisa repetir que texto não é sobre reabilitação?
(Paulo Gentil)
Bomba G, Kowalski IM, Szarek J, Zarzycki D, Pawlicki R. The effect of spinal electrostimulation on the testicular structure in rabbit. Med Sci Monit. 2001 May-Jun;7(3):363-8.
Kowalski IM, Szarek J, Zarzycki D, Rymarczyk A. Experimental scoliosis in the course of unilateral surface electrostimulation of the paravertebral muscles in rabbits: effects according to stimulation period. Eur Spine J. 2001 Dec;10(6):490-4.
Malnick SD, Band Y, Alin P, Maffiuletti NA. It's time to regulate the use of whole body electrical stimulation. BMJ. 2016 Mar 30;352:i1693.
Szarek J, Kowalski IM, van Dam F, Zarzycki D, Pawlicki R, Fabczak J. Pathomorphological pattern of paravertebral muscles of rabbits after long-term experimental electrostimulation. Pathol Res Pract. 2003;199(9):613-8.

JEJUM INTERMITENTE, ESTRATEGIA HONESTA ENDEUSADA DE MANEIRA DESONESTA

Não, o prémio Nobel da Medicina não "foi categórico ao afirmar que jejum é muito melhor do que comer de 3 em 3 horas”. O que levou a atribuição do Nobel de Medicina à Yoshinori Ohsumi em 2016, foi o seu trabalho sob mecanismos de autofagia em células de levedura que, apesar de fornecer pistas interessantes para futura investigação, ainda está a uma distância considerável de considerar - “categoricamente” - que o jejum é a melhor opção para perder peso. O principal problema desta “notícia”, é a quantidade alarmante e preocupante de profissionais de saúde que a partilham e fazem com que muitos dos seus pacientes, que confiam no seu crivo científico, tomem estas notícias como verdadeiras e não como fake news. E digo isto porque em uma revisão onde se sumariza todos os estudos que demonstraram benefícios do jejum intermitente em humanos, se concluiu as seguintes particularidades:
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✔Nem sempre o jejum conduziu a perda de peso. Em quatro dos 16 estudos não houve mudanças de peso, e em um deles o peso aumentou.
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✔Quase metade dos estudos (sete) não tiveram grupo controle, e em dois deles o grupo controle apenas manteve os seus hábitos alimentares. Isto faz com que nestes nove estudos não se saiba se os benefícios foram devido ao jejum ou simplesmente à restrição calórica induzida nos participantes;
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✔Os estudos que compararam o jejum com outro grupo que também estava em restrição calórica não verificaram, de forma geral, diferenças significativas na glicemia, triglicérides, colesterol, leptina, adiponectina e proteína C reativa (um marcador de inflamação). .
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Tudo isto indica que a nível metabólico, os benefícios do jejum dependem, inteiramente, da restrição calórica que induzem, e que com muito boa vontade, pode ser uma estratégia útil para indivíduos mais resistentes à insulina. Além disso, como se tratam de estudos com duração reduzida (de apenas um dia a 12 semanas) é completamente abusivo tecer grandes considerações acerca do seu impacto na doença cardiovascular, nos cânceres, na diabetes ou no Alzheimer.
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@stefanny_karenn
#Texto do nutricionista Felipe Teixeira!

CAMINHADA NO MODO CONTINUO NAO VAI TE AJUDAR A EMAGRECER

A pessoa – com sobrepeso ou #obesidade – deseja começar um programa para #emagrecimento. Aí, o profissional manda uma prescrição de 30 minutos de #caminhada por dia! Embora seja assustador, ainda há profissionais fazendo este tipo de prescrição!

Não estou falando que fazer caminhada não é bom!

Há diversas EVIDÊNCIAS OBSERVACIONAIS indicando que, quanto mais passos por dia, menor a chance de um indivíduo ser obeso (Lancet 2016; 388: 1302–10). Uma vida fisicamente ativa – com caminhadas ou pedaladas diárias –REDUZ a chance de mortalidade por todas as causas, INDEPENDENTEMENTE da prática de OUTRAS atividades (Int J Behav Nutr Phys Act.;11:132, 2014)! No entanto, se a pessoa desejar EMAGRECER, a caminhada tradicionalmente feita NÃO É UMA INDICAÇÃO ADEQUADA! Embora esta prática auxilie na melhora da saúde cardiometabólica, e reduza a chance de desenvolver doenças ou morrer, o impacto na redução da massa corporal e da gordura é quase irrelevante! Você pode estar perdendo TEMPO, DINHEIRO e ENERGIA se exercitando de modo errado:

Imagine que 3 meses de caminhada, com 5 sessões/sem, de UMA HORA por dia gerou redução de APENAS 1kg com diminuição de 0,5 cm na cintura (Diabetes Care; 22(4): 555-561, 1999). Metanálise sobre efeitos da caminhada na perda de peso (Ann Fam Med 2008;6:69-77) observou que aumentar o número de passos por dia de:

4.790 para 8.300 reduziu o peso em 0,9 kg após 2 meses

5.752 para 9.123 reduziu o peso em 0,7 kg após 4 meses

Outro trabalho (Prev Med 38 (2004) 651–661) observou que média de 6 meses de caminhada, com ~4x/sem e sessões com ~40 min, melhorou TIMIDAMENTE o LDL-colesterol, mas não melhorou HDL, glicemia e proporcionou PERDA DE PESO de APENAS 100 gramas, com reduções de gordura corporal menores que 1%! Definitivamente, a caminhada tradicional não vai ajudar a emagrecer.

Você conseguirá emagrecer caminhando!

Mas precisa fazer um pequeno ajuste no modo como você caminha!

FABRICIO BOSCO

EVIDENCIAS SOBRE ELETROESTIMULAÇÃO


Fiz um post alertando para os problemas e as mentiras associadas à eletroestimulação (EMS). Alguns me xingaram, uns me ameaçaram, outros me mandaram estudar... ...Nada de novo. Mas o que deixou impressionado de verdade, foi descobrir o tanto de gente que vende esse negócio. Logo eles fizeram publicações defendendo o uso do produto, cheias de argumentações falaciosas, tipo dizer que determinada Universidade estuda o produto, como se houvesse apoio institucional. Mais ainda, na tentativa de convencer os leitores, falaram em evidências científicas e até fazem referência a uns estudos. Para ter certeza que eu não estou sendo um cara sacana, eu li TODOS eles e vou aqui lhes apresentar o resumo da ópera.
Mas, antes de seguir vou relembrar as promessas encontradas nos sites dos vendedores: “Tonificação de diferentes músculos como abdômen, glúteos, braços, pernas, etc.”, “Redução de gordura corporal, celulite e flacidez”, “Aumento da capacidade dos treinos de alta performance”, “Melhora na força, aptidão, resistência e estética corporal”, “Equilibrio do sistema muscular”, “Estímulo da produção de colágeno e fluxo sanguíneo na pele”, “Aumento duradouro de consumo de energia pelo corpo”, “Economia de tempo”, “Redução das dores nas costas”, “Proteção das articulações”. Inclusive um deles fala “Nós ajudamos nossos clientes a treinar de maneira mais eficiente e nossos parceiros a ter sucesso em seus negócios”.
Deu água na boca, né? Mas vamos aos estudos. Começamos pelos que devem ser removidos da conversa, tipo Filipovic et al. que usaram EMS em jogadores de futebol (2016) e avaliaram deformabilidade dos glóbulos vermelhos (2015). Também não dá para considerar Kemmler & von Stengel (2012) pois é uma revisão com evidências frágeis sugerindo uso de EMS para idosos frágeis. Mustafa & Ozgur (2009), reportam perda de 3kg de gordura em 8 semanas, mas é um estudo duvidoso, publicado em um jornal estranho e sem controle da dieta. Por falar em estudo estranho, Ahmad & Hasbullah (2015) fazem propaganda sem ao menos mostrar os resultados do experimento!
Seguindo a brincadeira, temos Kemmler et al. (2013), Kemmler et al. (2017), Humbert et al. (2009), Wittman et al. (2016) e Van Buuren et al. (2015) os quais sugerem que, quando comparado com NADA, a EMS pode ser boa para idosos, diabéticos, etc (que fique claro que é quando comparado com NADA, ok?). Mesmo em idosos, vale citar os estudos de von Stengel (2015) e Kemmler & von Stengel (2013) nos quais, após mais de UM ANO, idosos não melhoraram a densidade óssea, e ganharam míseros 0,5% na massa muscular e perderam 1,2% da gordura abdominal. Após mais de um ano!!
Sobre jovens, Kemler et al. ( 2016a, 2016b) têm estudos de 4 meses em que pessoas destreinadas reduziram em 1% o percentual de gordura e ganharam 600g de massa magra. Antes disso, Kemmler et al. ( 2010) não encontraram aumento no metabolismo de repouso com EMS e nem diferenças na perda de peso em relação a quem não fez NADA. Diz aí, esse produto é bichão, hein?
E tem as coincidências. Praticamente todos estudos mostrados citam os fabricantes em seus agradecimentos. Se formos nos estudos “esquecidos” pelos vendedores, achamos Porcari et al. (2002) que afirmam que EMS não tem efeito na composição corporal, força e aparência física e concluem que as promessas associados ao produto não se justificam.
Antes de mimimi ou falar em generalização, volte e leia o que dizem as propagandas. O texto é sobre isso. E aí, alguém quer um lenço?
PS: ainda não entenderam que me ameaçar e desafiar tem justamente o efeito contrário?
(Paulo Gentil)
Ahmad MF & Hasbullah AH (2015). The Effects of Electrical Muscle Stimulation (EMS) towards Male Skeletal Muscle Mass. Int J Sport Heal Sci 9, 860–869.
van Buuren F, Horstkotte D, Mellwig KP, Fründ A, Vlachojannis M, Bogunovic N, Dimitriadis Z, Vortherms J, Humphrey R & Niebauer J (2015). Electrical Myostimulation (EMS) Improves Glucose Metabolism and Oxygen Uptake in Type 2 Diabetes Mellitus Patients—Results from the EMS Study. Diabetes Technol Ther 17, 413–419.
Filipovic A, Grau M, Kleinöder H, Zimmer P, Hollmann W & Bloch W (2016). Effects of a Whole-Body Electrostimulation Program on Strength, Sprinting, Jumping, and Kicking Capacity in Elite Soccer Players. J Sports Sci Med 15, 639–648.
Filipovic A, Kleinöder H, Plück D, Hollmann W, Bloch W & Grau M (2015). Influence of Whole-Body Electrostimulation on Human Red Blood Cell Deformability. J Strength Cond Res 29, 2570–2578.
Humpert PM, Morcos M, Oikonomou D, Schaefer K, Hamann A, Bierhaus A, Schilling T & Nawroth PP (2009). External Electric Muscle Stimulation Improves Burning Sensations and Sleeping Disturbances in Patients with Type 2 Diabetes and Symptomatic Neuropathy. Pain Med 10, 413–419.
Kemmler W, Bebenek; M & von Stengel S (2013). Effects of Whole-Body-Electromyostimulation on Bone Mineral Density in lean, sedentary elderly women with osteopenia: The randomized controlled TEST-III Study. Osteologie 22, 121–128.
Kemmler W, Kohl M & Stengel S von (2016a). Effects of High Intensity Resistance Training Versus Whole-Body Electromyostimulation on Cardio-Metabolic Risk Factors in Untrained Middle Aged Males. A Randomized Controlled Trial. J Sport Res 3, 44–55.
Kemmler W, Schliffka R, Mayhew JL & von Stengel S (2010). Effects of Whole-Body Electromyostimulation on Resting Metabolic Rate, Body Composition, and Maximum Strength in Postmenopausal Women: the Training and ElectroStimulation Trial. J Strength Cond Res 24, 1880–1887.
Kemmler W & von Stengel S (2012). Alternative Exercise Technologies to Fight against Sarcopenia at Old Age: A Series of Studies and Review. J Aging Res 2012, 1–8.
Kemmler W & von Stengel S (2013). Whole-body electromyostimulation as a means to impact muscle mass and abdominal body fat in lean, sedentary, older female adults: subanalysis of the TEST-III trial. Clin Interv Aging 8, 1353.
Kemmler W, Teschler M, Weißenfels A, Bebenek M, Fröhlich M, Kohl M & von Stengel S (2016b). Effects of Whole-Body Electromyostimulation versus High-Intensity Resistance Exercise on Body Composition and Strength: A Randomized Controlled Study. Evid Based Complement Alternat Med 2016, 9236809.
Kemmler W, Weissenfels A, Teschler M, Willert S, Bebenek M, Shojaa M, Kohl M, Freiberger E, Sieber C & von Stengel S (2017). Whole-body electromyostimulation and protein supplementation favorably affect sarcopenic obesity in community-dwelling older men at risk: the randomized controlled FranSO study. Clin Interv Aging 12, 1503–1513.
Mustafa à & Ã�zgür B (2009). Archives of Applied Science Research. Scholars Research Library. Available at: http://www.scholarsresearchlibrary.com/…/effects-of-wholebo… [Accessed April 4, 2018].
Porcari JP, McLean KP, Foster C, Kernozek T, Crenshaw B & Swenson C (2002). Effects of electrical muscle stimulation on body composition, muscle strength, and physical appearance. J strength Cond Res 16, 165–172.
von Stengel S, Bebenek M, Engelke K & Kemmler W (2015). Whole-Body Electromyostimulation to Fight Osteopenia in Elderly Females: The Randomized Controlled Training and Electrostimulation Trial (TEST-III). J Osteoporos 2015, 643520.
Wittmann K, Sieber C, von Stengel S, Kohl M, Freiberger E, Jakob F, Lell M, Engelke K & Kemmler W (2016). Impact of whole body electromyostimulation on cardiometabolic risk factors in older women with sarcopenic obesity: the randomized controlled FORMOsA-sarcopenic obesity study. Clin Interv Aging Volume 11, 1697–1706.

CIRURGIA BARIATRICA PODE ESTIMULAR A PRODUÇÃO DE MAIS GORDURA

Vira e mexe aparecem dados que reforçam a hipótese lipostática, a qual indica que, quando quantidades do tecido adiposo são arrancadas, o organismo se esforça para que elas sejam recolocadas.

Com ratos tem uma série de estudos apontam para a hiperplasia do tecido adiposo após lipectomia, ou seja, retirada do tecido adiposo através de cirurgia (Neurosci Biobehav Rev 2001. 25(1):15-28). Entre humanos, mostrei dados sobre:

#criolipolise, que pode gerar HIPERPLASIA do tecido adiposo (Aesthetic Surgery J 2016, 36(1) NP6–NP13). A pessoa vai na “estética” para congelar a gordura e, tanto consegue que, ao destruir as células de gordura, o corpo faz com que elas aumentem de tamanho.

#lipoaspiração, que pode gerar aumento da quantidade de gordura, especialmente se a pessoa não realizar exercícios após a cirurgia (J Clin Endocrinol Metab. 2012;97(7):2388-95)

Aí, perguntam-me: - Isto acontece quando alguém com #obesidade faz cirurgia bariátrica?

Sim! Embora esta cirurgia não seja um exemplo de lipectomia – extração do tecido adiposo – ela estressa esta reserva energética.

Pesquisadores espanhóis observaram dados de 33 pacientes obesos que passaram por #gastroplastia, a tal da #cirurgiabariatrica (Surg Obes Relat Dis. 2016;12(2):357-62). Eles avaliaram a expressão de genes que trabalham para AUMENTO do tecido adiposo! E voilá, genes de diferentes enzimas adipogênicas (PPAR-gama e CEBP-alfa) e responsáveis pela lipogênese de novo (Ácido graxo sintase, SREBF1 e ELOVL6) estavam com expressões aumentadas após a cirurgia bariátrica!

O organismo é implacável: Quando você tenta “arrancar a gordura na marra”, ele sempre tentará arrumar um jeito de “compensar”. Afinal, somos sobreviventes de milhares de anos de seleção! Em última instância, nosso organismo se tornou EXPERT em ARMAZENAR gordura, e quando você tenta reduzi-la de modo “forçado”, ele tentará compensar isto de algum modo. Os mais comuns? - Aumentando a fome - Reduzindo metabolismo basal - Tentando elevar estoques de gordura, primeiro a partir de maior EXPRESSÃO gênica para enzimas lipogênicas e, então, a partir da maior ATIVIDADE destas enzimas.

Ah! Muitas vezes a bariátrica é a única saída para um novo começo

FABRICIO BOSCO