POR QUE O MEU RENDIMENTO CAI TANTO QUANDO EU TREINO GRIPADO OU RESFRIADO?
Você entra na academia decidido a manter a rotina, aquece normalmente e inicia o treino. Mas algo parece diferente. A carga que costumava ser fácil está pesada, o fôlego acaba mais rápido e a disposição simplesmente não é a mesma. Quando isso acontece durante um resfriado ou uma gripe, muitas pessoas se perguntam: por que a queda de rendimento é tão grande? 
A resposta começa pelo funcionamento do próprio organismo. Quando um vírus invade o corpo, o sistema imunológico entra em ação para combater o agente infeccioso. Esse processo exige energia, nutrientes e uma série de adaptações fisiológicas que ajudam o organismo a lidar com a infecção.
Em outras palavras, o corpo passa a ter uma prioridade diferente.
Em vez de concentrar seus recursos na performance esportiva, ele direciona boa parte deles para a recuperação. 
Outro detalhe interessante é que muitos sintomas que associamos à gripe ou ao resfriado não são causados diretamente pelo vírus, mas pelas respostas do próprio sistema imunológico. Febre, sensação de cansaço, dores musculares e indisposição fazem parte desse mecanismo de defesa.
Isso ajuda a explicar por que atividades que normalmente parecem simples podem exigir muito mais esforço durante um período de doença.
Além disso, sintomas respiratórios também podem influenciar o desempenho. Congestão nasal, tosse e irritação das vias aéreas podem tornar a respiração menos confortável durante o exercício, aumentando a percepção de esforço.
Outro ponto pouco falado é que a qualidade do sono costuma piorar durante infecções. Muitas pessoas dormem menos, acordam várias vezes durante a noite ou não conseguem atingir o mesmo nível de recuperação habitual. Como o sono desempenha papel fundamental na recuperação física, essa alteração pode contribuir ainda mais para a queda de rendimento. 
Também vale lembrar que a alimentação frequentemente muda quando estamos doentes. Redução do apetite, menor ingestão de líquidos e alterações na rotina alimentar podem influenciar os níveis de energia disponíveis para o treino.
Mas existe um ajuste importante para evitar simplificações. Nem toda gripe ou resfriado produz o mesmo impacto. Algumas pessoas apresentam sintomas muito leves e percebem apenas pequenas alterações no desempenho. Outras podem experimentar uma queda significativa da capacidade física durante vários dias.
Outro aspecto importante é que insistir em treinos intensos quando o organismo está claramente sobrecarregado nem sempre é uma boa estratégia. O exercício físico é um estímulo que exige adaptação. Quando o corpo já está utilizando grande parte de seus recursos para combater uma infecção, a capacidade de responder ao treinamento pode ficar temporariamente reduzida.
Além disso, o rendimento costuma voltar gradualmente à medida que a recuperação acontece. Em muitos casos, a perda temporária de desempenho não significa regressão permanente nem perda significativa dos resultados conquistados anteriormente.
No fim, talvez a principal mensagem seja que o corpo possui prioridades biológicas muito claras. Quando existe uma infecção em andamento, a recuperação tende a ocupar o primeiro lugar da lista. E embora seja frustrante ver a performance cair temporariamente, essa resposta faz parte dos mecanismos naturais que ajudam o organismo a voltar ao seu estado normal. Porque, às vezes, descansar e recuperar também faz parte do treinamento.
Fontes: British Journal of Sports Medicine, Sports Health, American College of Sports Medicine (ACSM)
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