LUVA MUITO GROSSA PODE ESTAR MUDANDO SUA PEGADA MAIS DO QUE VOCÊ IMAGINA
Para muita gente, colocar as luvas antes do treino é quase um ritual automático. Elas ajudam no conforto, reduzem o atrito com a barra e podem tornar alguns exercícios mais agradáveis de executar. Mas existe um detalhe pouco discutido que começa a chamar atenção de treinadores e especialistas em biomecânica: a espessura da luva utilizada. 
O que parece apenas uma questão de conforto pode influenciar a forma como a mão interage com barras, halteres e puxadores durante o treino.
Quando seguramos uma barra, não estamos usando apenas os grandes músculos das costas ou dos braços. Existe uma enorme participação dos músculos da mão, dos dedos e do antebraço para estabilizar a pegada e transmitir força ao restante do corpo.
É justamente aí que a espessura da luva entra na equação.
Luvas muito grossas aumentam a distância entre a mão e o equipamento. Na prática, isso altera levemente a mecânica da pegada e pode reduzir parte da sensibilidade tátil durante o exercício. 
Em alguns casos, a pessoa passa a depender mais do material da luva e menos da própria capacidade de estabilização da mão.
Isso não significa que usar luvas seja errado.
Na verdade, elas podem ser extremamente úteis para pessoas com calos excessivos, desconforto nas mãos ou determinadas necessidades específicas.
O ponto principal é entender que existe uma diferença entre proteção e excesso de amortecimento.
Outro detalhe interessante é que exercícios de puxada costumam depender bastante da força de pegada.
Movimentos como barra fixa, remadas, puxadores e levantamento terra exigem que a mão permaneça firme durante toda a série.
Quando a pegada começa a falhar, muitas vezes o exercício termina antes mesmo de o músculo principal atingir a fadiga completa.
Por isso, alguns treinadores preferem utilizar luvas mais finas ou até treinar sem elas em determinados exercícios, justamente para permitir maior participação da musculatura do antebraço.
Mas existe um ajuste importante que precisa ser feito para evitar exageros comuns nas redes sociais.
Não existe evidência de que uma luva grossa “anule” o treino de antebraço ou destrua os resultados da musculação.
O efeito é muito mais sutil do que algumas pessoas imaginam.
O que pode acontecer é uma pequena alteração na exigência da pegada e na percepção de firmeza durante determinados movimentos.
Outro ponto pouco falado é que a força de pegada está associada não apenas ao desempenho esportivo, mas também à funcionalidade geral do corpo.
Diversos estudos já demonstraram relação entre força de preensão manual e indicadores gerais de capacidade física ao longo da vida.
Por isso, desenvolver uma pegada forte continua sendo algo relevante para muitos praticantes. 
Além disso, cada pessoa possui características diferentes.
Quem sofre com dor nas mãos, sensibilidade excessiva ou problemas de pele pode se beneficiar bastante do uso de luvas.
Já outros praticantes preferem contato direto com a barra justamente para aumentar percepção de controle e estabilidade.
Outro detalhe curioso é que muitos atletas de modalidades como powerlifting, escalada e strongman costumam dar enorme importância ao treinamento da pegada.
Isso acontece porque a mão é literalmente o primeiro ponto de contato entre o corpo e a carga.
Sem uma pegada eficiente, parte da força produzida pelo restante do corpo pode não ser transmitida da maneira ideal.
No fim, talvez a questão não seja usar ou não usar luvas.
Talvez a pergunta mais interessante seja entender se o equipamento está ajudando sua execução ou apenas mascarando limitações que poderiam ser trabalhadas ao longo do tempo.
Porque muitas vezes pequenos detalhes da pegada acabam influenciando muito mais o treino do que a maioria das pessoas imagina.
E você, prefere treinar com luvas ou sente mais firmeza segurando a barra diretamente?
Fonte: Journal of Strength and Conditioning Research, National Strength and Conditioning Association (NSCA) e American Council on Exercise (ACE)
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