BICARBONATO E PERFORMANCE FÍSICA
O bicarbonato de sódio ganhou espaço no mundo esportivo porque está relacionado ao controle de acidez durante exercícios de alta intensidade. Quando o corpo realiza atividades que exigem explosão ou esforço acima do limiar aeróbico, os músculos produzem metabólitos que diminuem o pH local. Essa queda de pH gera sensação de queimação e fadiga. O bicarbonato atua como um agente tamponante, ajudando a estabilizar o pH e atrasar essa sensação. Isso não aumenta a força do músculo, mas pode prolongar o tempo até a fadiga em esforços específicos. 
Esse tema começou a ser estudado em atletas que praticam modalidades como sprint, remo, natação, lutas e treinos intervalados intensos. Nessas situações, a produção de lactato e íons de hidrogênio aumenta rapidamente, exigindo mecanismos para manter o equilíbrio ácido-base. O bicarbonato, por ser um tampão extracelular, atua nesse processo. Não é um ergogênico universal, não funciona para todas as modalidades e não traz benefício em esportes onde a limitação não é a acidez.
Outro ponto importante é que o fato de um mecanismo existir não significa que qualquer pessoa deva utilizar bicarbonato. Altas doses podem causar desconforto gastrointestinal e sintomas como distensão e náusea. Estudos indicam que há estratégias mais toleráveis, como doses fracionadas ou protocolos de adaptação, mas esses protocolos devem ser avaliados por profissionais. Aqui entra um ponto fundamental: ergogênicos não substituem treino, técnica, sono ou alimentação. Eles apenas modulam uma etapa específica do esforço.
Além disso, não existe suplemento capaz de transformar um iniciante em atleta. O corpo evolui por meio de repetição, carga progressiva e adaptação. O bicarbonato apenas atua em um cenário no qual o atleta já domina o gesto esportivo e já está próximo do seu limite pessoal. Outro detalhe que vale mencionar é que a literatura também discute a individualidade. Nem todo organismo responde da mesma forma.
No fim, a pergunta certa não é “funciona ou não funciona?”. A pergunta é “para quem, em qual esporte e com qual objetivo?”. Quando falamos de performance, contexto é mais importante do que promessa. O esporte não é uma corrida de atalhos, é uma construção de tolerância ao esforço.
Fonte: International Journal of Sports Physiology and Performance
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