segunda-feira, 1 de julho de 2013

ALGO SOBRE PLIOMETRIA

BASES FISIOLÓGICAS DO TREINAMENTO PLIOMÉTRICO APLICADO NA REABILITAÇÃO DE ATLETAS

Luciano Pavan Rossi1, Michelle Brandalize2, Marcos Tadeu T. Pacheco3
1Docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO e do Departamento de Educação Física da Faculdade Guairacá – FAG, e-mail: lucianorossi79@yahoo.com.br
2Docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO
3Docente do programa de Pós-graduação da Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP
Resumo - A pliometria é uma técnica conhecida para aumentar a potência muscular e melhorar o rendimento atlético, porém, só recentemente, sua importância na prevenção e na reabilitação de lesões está sendo discutida. Os exercícios pliométricos são definidos como aqueles que ativam o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo esquelético, provocando sua potenciação mecânica, elástica e reflexa. O objetivo deste trabalho de revisão bibliográfica é descrever as bases mecânicas, elásticas e neurofisiológicas da pliometria, assim como, a sua importância na reabilitação de atletas. Para isso, foram utilizados livros e artigos científicos nacionais e internacionais. Pôde-se observar, que esses exercícios são usados na fase final da reabilitação de vários tipos de lesões musculoesqueléticas, e também na prevenção de lesões, pois, acredita-se que eles são capazes de desenvolver força explosiva, aumentar a resposta muscular e melhorar a coordenação neuromuscular. Conclui-se, que é fundamental para o fisioterapeuta conhecer a aplicação clínica da pliometria na prevenção e no tratamento das lesões esportivas para poder elaborar um programa de tratamento seguro e eficiente.
Palavras chaves: ciclo excêntrico-concêntrico, pliometria, potenciação muscular, reabilitação.
Área de conhecimento: Ciências da Saúde
Introdução
A maioria das atividades desportivas, como saltar e arremessar, utiliza uma alternância de contrações musculares, denominada de ciclo alongamento-encurtamento, ou seja, um mecanismo fisiológico cuja função é aumentar a eficiência mecânica dos movimentos, nos quais ocorre uma contração muscular excêntrica, seguida, imediatamente, por uma ação concêntrica (VOIGHT, DRAOVITCH e TIPPETT, 2002). Um dos meios pelo qual se ativa o ciclo alongamento-encurtamento é a pliometria. Esse método é conhecido por desenvolver potência muscular em atletas. A potência representa o componente principal da boa forma física, que pode ser o parâmetro mais representativo do sucesso nos esportes que requerem força rápida e extrema (BOMPA, 2004).
O termo pliometria foi introduzido pelo treinador norte americano Fred Wilt em 1975. Essa técnica tornou-se popular nos anos 60 e 70 e foi responsabilizada pelo sucesso dos atletas do leste europeu na época (KUTZ, 2003). Os treinadores norte americanos já usavam saltos com bancos e pular corda, porém não conheciam sua base fisiológica. Foi então, o treinador soviético Yuri Verkhoshanski, durante o final da década de 60, quem começou a transformar o que eram apenas saltos aleatórios, em treinamento pliométrico organizado (PRENTICE e VOIGHT, 2003; BOMPA, 2004).
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Os exercícios pliométricos são definidos como aqueles que ativam o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo esquelético, provocando sua potenciação elástica, mecânica e reflexa (MOURA e MOURA, 2001). O propósito dos exercícios de ciclo alongar-encurtar ou de contra movimento é melhorar a capacidade de reação do sistema neuromuscular e armazenar energia elástica durante o pré-alongamento, para que esta seja utilizada durante a fase concêntrica do movimento (DESLANDES et al. 2003). Esses exercícios promovem a estimulação dos proprioceptores corporais para facilitar o aumento do recrutamento muscular numa mínima quantidade de tempo (WILK et al., 2001).
Além da importante contribuição desta técnica para o ganho de potência ela possui ainda, papel na melhora no desempenho do controle neuromuscular, porém somente há pouco a sua importância na prevenção e reabilitação de lesões está sendo discutida (HILLBOM, 2001). Desta forma, este trabalho de revisão bibliográfica tem como objetivo descrever as bases mecânicas, elásticas e neurofisiológicas da pliometria, assim como, o seu papel na reabilitação e prevenção de lesões em atletas, haja visto que eles precisam retornar de forma precoce e segura ao esporte competitivo.
Metodologia
Foi realizado um levantamento bibliográfico de revistas indexadas nacionais e internacionais, do período de 1993 a 2004, através dos sites de busca: Medline, Pubmed e Lilacs. Para isso foram utilizadas as seguintes palavras chaves: ciclo
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excêntrico-concêntrico, pliometria, potenciação muscular e reabilitação.
Resultados
O ciclo alongamento-encurtamento é dividido em três fases, a fase excêntrica ou de pré-alongamento, a fase de amortização e a fase concêntrica ou de encurtamento. A fase excêntrica é descrita como preparatória, ela estimula os receptores musculares e carrega os músculos com energia elástica. A fase de amortização é o tempo entre o começo da contração excêntrica até o começo da contração concêntrica e a terceira e última fase é a de contração ou encurtamento, ou seja, a fase final do movimento pliométrico a qual gera o movimento explosivo (MOURA e MOURA, 2001; WILK e ARRIGO 2003; HOWARD, 2004; DAVIES, ELLENBECKER e BRIDELL, 2004).
As bases fisiológicas do exercício pliométrico são complexas, pois utiliza o ciclo do alongamento-encurtamento, sendo esta, baseada na combinação dos reflexos de estiramento muscular e nas propriedades mecânicas e, principalmente, elásticas do sistema músculotendíneo.
Segundo Deslandes et al. (2003) o comportamento muscular é representado como um modelo de três componentes, como mostrado na figura 1, que são um componente contrátil, CC, formado pela actina e miosina, um componente elástico em série, CES, que se encontra em série com o CC e possui uma parte ativa, situada na zona contrátil do músculo e uma parte passiva, correspondente ao tendão. X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 2555
Figura 1: Componentes muscular
O componente elástico em paralelo, CEP, encontra-se em paralelo com o CC e corresponde ao sarcolema, ao endomísio, ao perimísio e ao epimísio. Este é responsável por manter as fibras unidas, e juntamente com o CES, confere importante rigidez funcional para aprimorar a transmissão da força de contração do músculo para o tendão e osso (NORDIN e FRANKEL, 2003).
Quando o músculo contrai concentricamente, a maior parte da força produzida é proveniente do componente contrátil, ou seja, da interação entre os filamentos de actina e miosina e pouca energia elástica é armazenada. Na contração muscular excêntrica, o músculo é alongado e o CES também, dessa forma uma quantidade maior de energia elástica é estocada (DESLANDES et al. 2003). Acredita-se que ocorre um aumento significativo na produção de força muscular concêntrica quando imediatamente precedida por uma contração muscular excêntrica, devido à reutilização dessa energia elástica pelo músculo (PRENTICE e VOIGHT, 2003). Cerca de 28% da energia é estocada pelo CES ativo, enquanto que 72% pelo CES passivo, ou seja, o tendão é o principal responsável pela absorção de energia elástica durante uma ação excêntrica (BISCIOTTI, VILARDI e MANFIO, 2002).
Como se sabe, a eficiência mecânica do trabalho muscular é de aproximadamente 25%, ou seja, somente esse valor da energia química gasta se converte em energia mecânica, ou seja, movimento, e os outros 75% são transformados em energia térmica, calor, uma energia que não interessa em termos de desempenho (MOURA, 1994). Com o ciclo excêntrico-concêntrico, o rendimento muscular é 25% a 40% maior, devido à energia gratuita fornecida pelo armazenamento e recuperação da energia elástica, contribuindo para a economia do gesto esportivo (BISCIOTTI, VILARDI e MANFIO, 2002). Porém, para que isto aconteça é necessário que se realize um pré-alongamento de pequena amplitude, grande velocidade e tempo de amortização bastante curto, caso contrário, muita dessa energia será dissipada em calor (MOURA e MOURA, 2001).
Discussão
Para provar alguns parâmetros da pliometria, Bosco e Komi apud Prentice e Voight (2003) realizaram um estudo no qual compararam saltos de profundidade amortecidos com saltos não amortecidos. Saltos em profundidade são aqueles nos quais ocorre uma queda a partir de determinada altura seguida, imediatamente, de um salto vertical máximo, conforme figura 2.
Figura 2: Salto em profundidade
Nos saltos não amortecidos, o ângulo de flexão de joelhos foi mínimo na aterrissagem, e este foi logo seguido por um salto imediato. Nos
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saltos amortecidos, houve uma maior flexão de joelho, o que prolongou o início da fase concêntrica, dissipando assim, grande parte da energia elástica armazenada em calor. Verificou-se então que a produção de potência foi significativamente maior nos saltos não amortecidos, provando o que Moura e Moura (2001), afirmaram acerca da amplitude, velocidade e tempo do pré-alongamento.
Ainda, dois reflexos são de grande importância na fisiologia do ciclo excêntrico-concêntrico, a ativação do reflexo miotático, via estiramento rápido do fuso muscular e a dessenssibilização dos órgãos tendinosos de Golgi, já que estes são limitadores da tensão muscular, inibindo a produção de força muscular. (PRENTICE e VOIGHT, 2003; BOMPA, 2004).
O reflexo miotático é um dos mais rápidos, pois sua latência ou tempo de reação é de cerca de 30 a 40mseg. Possui papel protetor através da estabilização muscular reflexa. Esse reflexo pode ser facilitado através do treinamento reativo, de forma que o atraso eletromecânico requerido para desenvolver tensão muscular seja reduzido (PRENTICE e VOIGHT, 2003). Quando ocorre uma demora nesse tempo de latência ou de reação, há maior possibilidade de o indivíduo sofrer lesões (MYERS e LEPHART, 2000).
Segundo Wilk et al. (1993) a pliometria é capaz de melhorar a eficiência neural e aumentar o controle neuromuscular. A utilização do pré-alongamento pode permitir que o indivíduo adquira uma melhor coordenação das atividades de grupos musculares específicos, a qual causa uma adaptação neural capaz de incrementar a produção de força explosiva. O aumento da força explosiva conseguida com o ciclo alongamento-encurtamento resulta tanto do armazenamento de energia elástica durante o pré-estiramento e sua reutilização como energia mecânica durante a contração concêntrica, como da ativação do reflexo miotático, porém, a porcentagem de cada um desses fatores não é conhecida (VOIGHT, DRAOVITCH e TIPPETT, 2002).
Apesar dos exercícios pliométricos terem sido inicialmente utilizados no treinamento de atletas para desenvolver força explosiva, a sua utilização na reabilitação vem crescendo muito, com o objetivo de melhorar a reatividade muscular através da facilitação do reflexo miotático e da dessenssibilização dos OTGs e melhorar a coordenação intra e extra articular (MYERS e LEPHART, 2000; DESLANDES et al. 2003; HOWARD, 2004).
Analisando os efeitos desses exercícios, alguns autores concluem que estes podem ser benéficos na prevenção e reabilitação de lesões, principalmente de atletas (HILLBOM, 2001).
O seu uso na fase avançada da reabilitação de inúmeras lesões em atletas foi citada (MYERS e LEPHART, 2000). Após algumas semanas de reabilitação para restaurar os tecidos envolvidos na lesão, o paciente é preparado para retornar às atividades regulares de treinamento e ou competição. Essa fase funcional do tratamento é muito importante, porque o programa de reabilitação deve ser gradualmente substituído pelo treinamento esportivo específico, haja visto que este irá expor o atleta às mesmas forças e condições associadas com a lesão inicial.
Prentice e Voight (2003), afirmam que um fuso muscular com nível de sensibilidade baixo possui menor capacidade para superar o estiramento rápido e assim, produz uma resposta menos vigorosa e Deslandes et al. (2003) relata que o indivíduo que realiza atividades com ciclo alongar-encurtar, ocorre uma melhor sincronização da atividade muscular e da atividade miotática, portanto, um programa de exercícios pliométricos, aumenta a eficiência neural, corrigindo déficits proprioceptivos e melhorando o desempenho neuromuscular.
Hillbom (2001) sugere que a pliometria pode ser usada ainda como um tipo de reeducação neuromuscular, e é um mecanismo promotor de ajustes posturais e de ativação muscular necessários para proteger articulações na maioria dos esportes, sendo dessa forma, usada na prevenção de lesões em atletas. Em um estudo com base eletromiográfica e plataforma de força realizado por Chimera, Swanik e Straub (2004), mostrou que o treinamento com saltos pliométricos melhorou a ativação da musculatura do quadril, a qual é importante para a estabilização do joelho e conseqüentemente para prevenção de lesões.
Existem relatos na literatura do uso de pliometria em inúmeros tipos de lesões e em diferentes articulações do corpo. Myers e Lephart (2000) acreditam que há uma diminuição da propriocepção articular após uma lesão, principalmente nas instabilidades articulares, e que essa falha proprioceptiva em uma articulação é capaz de alterar o movimento coordenado das outras articulações envolvidas na cadeia cinética. Andrews, Harrelson e Wilk (2000) acreditam que um programa de exercícios pliométricos pode ser bastante útil na reabilitação de atletas que realizam movimentos acima da cabeça, como em arremessadores no tratamento de síndrome do impacto, instabilidade de ombro, lesões do cotovelo e no pós-cirúrgico de lesões do lábio glenoidal. Esses autores defendem ainda, a utilização desses exercícios para lesões do membro inferior, dentre as quais destacam-se tendinopatias, lesões musculares, entorses de tornozelo, lesões de ligamento cruzado anterior, ligamento cruzado posterior e após reparo meniscal.
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Conclusão
O treinamento pliométrico repetitivo influencia na resposta reativa muscular, melhorando a sincronização da atividade muscular e da atividade miotática, portanto, um programa de exercícios pliométricos, aumenta a eficiência neural, corrigindo déficits proprioceptivos e aprimorando o controle neuromuscular após uma lesão.
Por esses efeitos, é sabido que a pliometria, além de importante instrumento na reabilitação de lesões, é ainda, efetiva na prevenção destas, pois um bom controle motor atua como um mecanismo protetor capaz de ativar as vias de estabilização reflexas, feed foward, ocasionando uma resposta motora mais veloz diante de forças ou traumas inesperados. A pliometria é, portanto, uma forma de se obter força explosiva e melhorar a propriocepção ao mesmo tempo. Esses exercícios, quando supervisionados por profissionais experientes, são muito válidos, pois são a transição entre a reabilitação e o retorno ao treinamento esportivo e são mais prováveis de prevenir do que causar lesões.
Entretanto, é fundamental para o fisioterapeuta do esporte conhecer o conceito e a aplicação clínica da pliometria na prevenção e no tratamento das lesões esportivas, para que possa elaborar um programa de reabilitação seguro e eficiente, que vise reabilitar o atleta em todos os seus aspectos.
Porém, muitos desses benefícios são ainda empíricos, ou seja, são citados na literatura mas com pouca evidência científica. Desta forma, são necessários mais estudos controlados, randomizados e com uma amostra significativa que realmente justifiquem os benefícios da pliometria na reabilitação de atletas, assim como os parâmetros ideais de tratamento.
Referências
ANDREWS, J. R.; HARRELSON,G. L.; WILK, K. E. Reabilitação física nas lesões desportivas. 2ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan, 2000.504 p.
BISCIOTTI, G.N., VILARDI, N.P.J.; MANFIO, E.F. Lesão traumática e déficit elástico muscular. Fisioterapia Brasil, v.3, n.4, p. 242 – 249. Julho/Agosto, 2002.
BOMPA, T.O. Treinamento de potência para o esporte. São Paulo: Phorte, 2004. p.193
CHIMERA, N.J.; SWANIK, K.A.; STRAUB, S.J. Effects of plyometric training on muscle-activation strategies and performance in female athletes. Journal of Athletic Training. v.39, n.1, p. 24–31. March, 2004.
X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 2557
DAVIES, G.J. ; ELLENBECKER, T.S.; BRIDELL, D. Powering up. Plyometrics redefine rehab for overhead athlets. Biomechanics, September 2004. Disponível em <www.biomech.com>. Acesso em 25 de Junho de 2005.
DESLANDES, R.; GAIN, H.; HERVÉ, J.M.; HIGNET, R. Principios de fortalecimiento muscular: aplicaciones en el desportista. IN: SIMONNET, J. Kinesioterapia. Medicina física. Paris: Elsevier, 2003. p.1 –10.
HILLBOM, M. Plyometric training rewiew of research. Wayne State University, 2001. Disponível em <www.wayne.edu>. Acesso em 30 Jul 2005.
HOWARD, L. Plyometric concepts reinvent lower extremity rehabilitation. Biomechanics, sept 2004. Disponível em <www.biomech.com>. Acesso em 25 de Junho de 2005.
KUTZ, M.R. Theorical and practical issues for plyometric training. NCAs Performance Training Journal, v.2, n.2, p10-12, January, 2003.
MOURA, N, A; MOURA, T,F,P. Princípios do treinamento em saltadores: implicações para o desenvolvimento da força muscular. In: I Congresso sul-americano de treinadores de atletismo. Manaus, 2001. Disponível em: <www.mmatletismo.com.br>. Acesso em 15 de Maio de 2005.
MOURA, N.A. Recomendações básicas para a seleção da altura de queda no treinamento pliométrico. Boletin IAAF. Centro Regional de Desarollo de Santa Fé. Argentina, n.12, 1994. Disponível em: <www.mmatletismo.com.br>. Acesso em 15 de Maio de 2005.
MYERS, J.B.; LEPHART, S.M. The role of the sensorimotor system in the athletic shoulder.Journal of Athletic Training, v. 35, n.3, p. 351-363. 2000.
NORDIN, M.; FRANKEL, V. H. Biomecânica básica do sistema musculoesquelético. 3ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
PRENTICE, W.E.; VOIGHT, M,L. Técnicas em reabilitação musculoesquelética. Porto Alegre, Artmed, 2003.
VOIGHT, M.L.; DRAOVITCH, P.; TIPPETT, S. Pliométricos. In: ALBERT, M. Treinamento excêntrico em esporte e reabilitação. 2ed. São Paulo: Manole, 2002. p. 63-92.
WILK, K.E.; ARRIGO, C. Current concepts in the reabilitation of the athletic shoulder. Journal of orthopaedic and sports physical therapy, v.18, n.1, p. 365-378, 1993.
WILK, K.E.; VOIGHT, M.L.;KEIRNS, M. A.;GAMBETA, V.; DILLMAN, C.J. Stretch-shortening drills for the upper extremities: Theory and clinical application. Journal of orthopaedic and sports physical therapy, v.17, n.5, p.225-239, 1993.
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segunda-feira, 24 de junho de 2013

INSULINA E GORDURA ABDOMINAL

ALIMENTOS QUE AUMENTAM A BARRIGA

Os alimentos que estimulam uma grande produção de insulina pelo pâncreas são os maiores responsáveis pelo acúmulo de gordura abdominal, levando ao desenvolvimento da resistência à insulina. Essa resistência... à insulina pode levar ao diabetes. A insulina é um hormônio fundamental para colocar a glicose dentro da célula para produzir energia, entretanto quando produzido em excesso vai causar um desequilíbrio no organismo: vai fazer lipogênese (produção de gordura) na região abdominal e também vai aumentar o hormônio do apetite (grelina) além de diminui o hormônio da saciedade (leptina), aumentando assim a compulsão alimentar.

ALIMENTOS QUE AUMENTAM A GORDURA ABDOMINAL:

- Carboidrato de alto índice glicêmico (farinha branca refinada e seus derivados, açúcar, e doces em geral), porque necessitam de muita insulina;
- Carboidrato de alto e baixo índice glicêmico em quantidade exagerada numa mesma refeição, pois produz excesso de insulina;
- Gordura trans (biscoito recheado, pipoca de microondas, bolo industrializado, etc.);
- Gordura saturada em excesso (carnes gordas, pele de frango, salame, linguiça, manteiga, bacon, etc.).

ALIMENTOS QUE NÃO AUMENTAM A GORDURA ABDOMINAL:

- Carboidrato de baixo índice glicêmico em quantidade moderada (pão integral, hortaliças, frutas, cereais integrais, grãos, etc.), pois produz nível adequado de insulina;
- Gordura monoinsaturada em quantidade moderada (azeite de oliva extra-virgem, amêndoa, castanhas, nozes, etc.);
- Gordura poli-insaturada em quantidade moderada (salmão, atum, sardinha, chia, linhaça, etc.);
- Antioxidantes (vitamina C, vitamina E, selênio, zinco, betacaroteno, licopeno, antocianina, flavonoides, etc.). A gordura abdominal produz citocinas (substâncias inflamatórias) que oxidam as células e os antioxidantes vão protegê-las.

FONTES DE ANTIOXIDANTES:

- Vitamina C (laranja, tangerina, abacaxi, morango, vegetal verde escuro, etc.);
- Vitamina E (azeite de oliva, óleo vegetal, oleaginosas, abacate, etc.);
- Selênio (castanha do Pará, uma grande fonte);
- Zinco (nozes, frango, feijão, etc.);
- Betacaroteno (cenoura, mamão, abóbora, vegetal verde escuro, etc.);
- Licopeno (tomate, melancia, goiaba, etc.);
- Antocianina (açaí, berinjela, cebola roxa, repolho roxo, etc.);
- Flavonoides (uva, cebola, chá verde, cacau, etc.).
Neuza Cavalcanti
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sexta-feira, 21 de junho de 2013

BANANA


BANANA

 

Se desejar uma solução rápida para baixos níveis de energia, não há melhor lanche que a banana. Contendo 3 açúcares naturais: sacarose, frutose e glicose, combinados com fibra , a banana dá uma instantânea e substancial elevação da energia.Pesquisas provam que apenas 2 bananas fornecem energia suficiente para 90 minutos de exercícios extenuantes.

Não é a toa que a banana é a fruta numero 1 dos maiores atletas do mundo. Mas não é apenas em energia que ela é o "must". A banana também ajuda a curar ou prevenir um grande numero de doenças  que a tornam importante em sua dieta diária.

1-anemia : contendo muito ferro, bananas estimulam a produção de hemoglobina no sangue e ajudam nos casos de anemia.

2-pressão arterial : contém elevadíssimo teor de potássio e reduzido em sódio, tornando-a perfeita para combater a pressão alta. A FDA (agência responsável pelo controle de alimentos e remédios)dos EUA autorizou a indústria de banana a oficialmente informar sua habilidade de reduzir o risco de pressão alta e infarto.

3-Capacidade mental : 200 estudantes de uma escola em twickenham(middlesex) tiveram ajuda da banana(no café da manhã, lanche e almoço, para elevar sua capacidade mental. Pesquisa mostra que frutas com elevado teor de potássio ajudam alunos a aprender e manter-se mais em alerta.

4-Constipação : com elevado teor de fibra , incluir bananas na dieta pode ajudar a normalizar as funções intestinais , superando o problema , sem recorrer a laxantes.

5-depressão : de acordo com recente pesquisa realizada pela MIND , entre pessoas que sofrem depressão, muitas se sentiram melhor após uma dieta rica em bananas. Isto porque a banana contém "trypotophan", um tipo de proteína que o organismo converte em seratonina , reconhecida por relaxar, melhorar o humor e , de modo geral , aumentar a sensação de bem estar.

6-ressaca : uma das formas mais rápidas de curar uma ressaca  é fazer uma vitamina de banana com leite e mel. A banana acalma o estômago e , com a ajuda do mel , eleva o baixo nível de açucar , enquanto o leite suaviza e reidrata o sistema.

7-Azia: elas têm efeito antiácido natural. Se você sofre de azia , experimene comer uma banana para aliviar-se.

8-Nervos : elas contém elevado teor de vitamina B , que ajuda a acalmar o sistema nervoso.

9-úlcera : usada na dieta diária contra desorden intestinais , é a única fruta cra que pode ser comida sem desgaste em casos de úlcera crônica. Também neutraliza a acidez e reduz a irritação, protegendo as paredes do estômago.

 

Banana todo dia dá saúde e energia!

 

 

 

 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

RAIVA E STRESS x COLESTEROL


Raiva pode impulsionar o colesterol em mulheres fora de forma

Fonte: Journal of Behavioral Medicine

Um temperamento hostil pode ser áspero no coração, mas o exercício pode ajudar mesmo as personalidades mais irritadas a evitar doenças do coração, pesquisa sugere.

Em um estudo de 103 mulheres de meia idade, saudáveis, pesquisadores descobriram que aquelas mais irritadas tiveram níveis menos saudáveis de colesterol do que as mais calmas. Entretanto, mulheres que eram irritadas, mas em forma fisicamente, não mostrou nenhuma alteração em seu colesterol.

Porém, nem todas as formas de raiva foram relacionadas a níveis mais pobres de colesterol, de acordo com Aron Wolfe Siegman e seus colegas na Universidade de Maryland em Baltimore.

Por exemplo, a "raiva neurótica", que tem tendência a ter reações hostis às críticas e insultos, não mostrou nenhuma ligação com níveis mais elevados de colesterol ruim (LDL) ou níveis baixos de colesterol bom (HDL).

Por outro lado, as mulheres com temperamentos irritados que tiveram problema em controlar sua hostilidade tenderam a ter um colesterol total e LDL mais elevado.

Após a pesquisa, ligou-se a raiva crônica ao risco de doença do coração. Ainda, similar ao estudo atual, pesquisa nos homens sugeriu que a aptidão física pode opor os efeitos cardiovasculares da raiva.

A falta de controle sobre a raiva pode negativamente afetar os níveis de colesterol, de acordo com a equipe de Siegman. E eles notaram também que este traço da personalidade pode ser relacionado à hormônios como a adrenalina, que foi ligada por sua vez aos aumentos do colesterol na pesquisa animal.

Além disso, o controle da raiva foi relacionado a um colesterol mais pobre e em mulheres inadequadas independentemente da idade, massa corporal e hábito de fumo.

No lado mais brilhante, dizem os pesquisadores, suas descobertas sugeriram também que as pessoas mais irritadas podem ajudar seus corações praticando bastante exercício físico.

 

 

terça-feira, 21 de maio de 2013

ARTROSE


ARTROSE         




Sinônimos e Nomes Populares:

Osteoartrose, doença articular degenerativa. Os pacientes com freqüência referem-se à Osteoartrite como artritismo.

O que é?

É a doença articular mais freqüente e a cartilagem é o tecido inicialmente alterado. A cartilagem está aderida à superfície dos ossos que se articulam entre si. É formada por um tecido rico em proteínas, fibras colágenas e células.

Como se desenvolve?

A Osteoartrite (OA) tem início quando alguns constituintes protéicos modificam-se e outros diminuem em número ou tamanho. Há tentativa de reparação através da proliferação das células da cartilagem mas o resultado final do balanço entre destruição e regeneração é uma cartilagem que perde sua superfície lisa que permite adequado deslizamento das superfícies ósseas.

Este processo acompanha-se de liberação de enzimas que normalmente estão dentro das células cartilaginosas. A ação destas enzimas provoca reação inflamatória local a qual amplifica a lesão tecidual. Aparecem erosões na superfície articular da cartilagem que fica como se estivesse cheia de pequenas crateras. A progressão da doença leva ao comprometimento do osso adjacente o qual fica com fissuras e cistos.

Ao mesmo tempo, aparentemente como uma tentativa de aumentar a superfície de contato e procurando maior estabilidade, o osso prolifera. Mas não é um osso normal, sendo mais rígido e mais suscetível a microfraturas que ocorrem principalmente em articulações que suportam peso.

Aparentemente devido à reação inflamatória local todos os elementos da articulação sofrem hipertrofia: cápsula, tendões, músculos e ligamentos. As articulações sofrem aumento de volume e podem estar com calor local.

O grau de comprometimento é bastante variado. A doença pode evoluir até a destruição da articulação ou estacionar a qualquer momento. Há indivíduos que têm deformidades nos dedos e que nunca sentiram dor e outros que terão dor e progressiva piora da doença com conseqüentes deformidade e diminuição da função articular.

Não se conhece o gatilho inicial da Osteoartrite. Acredita-se que mecanismos diferentes levem às mesmas alterações na função e composição das estruturas articulares.

Freqüência

A doença torna-se evidente a partir dos 30 anos de idade. Estima-se que 35% das pessoas já tenha Osteoartrite (OA) em alguma articulação nesta idade, sendo a grande maioria sem sintomas. Joelhos e coluna cervical são os locais mais atingidos. Aos 50 anos aumenta muito a prevalência e a partir da década dos 70 anos 85% dos indivíduos terão alterações ao RX.

Fatores de risco

Osteoartrite (OA) nos dedos das mãos é mais freqüente em mulheres e tem grande incidência familiar, favorecendo um mecanismo genético.

Osteoartrite em articulações que recebem carga, como quadris e joelhos, são mais freqüentes em obesos o mesmo podendo acontecer com a coluna vertebral.

Defeitos posturais como pernas arqueadas ou pernas em xis favorecem Osteoartrite de joelhos. Posição inadequada do fêmur em relação à bacia leva à degeneração cartilaginosa em locais específicos da articulação coxo-femural.

Do mesmo modo, defeitos nos pés levarão à instalação de Osteoartrite, sendo o joanete o melhor modelo. Entretanto, há pacientes que sofrem outro tipo de OA no dedo grande do pé que não se relaciona com defeito postural.

Hiperelasticidade articular, mais comum em mulheres, pode permitir que as superfícies articulares ultrapassem seus limites anatômicos e a cartilagem, deslizando em superfícies duras, sofre erosão. Osteoartrite OA entre fêmur e rótula (femuropatelar) é um exemplo comum.

Doenças metabólicas como diabete e hipotireoidismo favorecem o desenvolvimento de Osteoartrite.

Outras doenças que afetam a cartilagem como artrite reumatóide, artrite infecciosa e doenças por depósitos de cristais (gota e condrocalcinose) podem apresentar-se com o mesmo tipo de lesão e são rotuladas como Osteoartrite (OA) secundária.

Manifestações clínicas

O que se sente?

Antes da dor, os pacientes com OA podem reclamar de desconforto articular ou ao redor das articulações e cansaço. Posteriormente, aparece dor e, mais tarde, deformidades e limitação da função articular. No início, a dor surge após uso prolongado ou sobrecarga das articulações comprometidas.

Mais tarde, os pacientes reclamam que após longo período de inatividade como dormir ou sentar-se por muito tempo em Osteoartrite de quadris ou joelhos, há dor no início do movimento que permanece alguns minutos.

São exemplos a dor discreta com rigidez que dura alguns minutos nos dedos pela manhã e nos joelhos também de manhã ou após algum tempo sentado. Nos pacientes que têm piora progressiva a dor fica mais forte e duradoura e as deformidades acentuam-se.

Na Osteoartrite de quadris e joelhos, subir e descer escadas fica mais difícil assim como caminhadas mais longas.

A inflamação pode produzir aumento do líquido intra-articular. Nestas situações a dor aumenta, os movimentos ficam mais limitados e a palpação articular evidencia calor local além da presença do derrame.





Acredita-se que só o fato de uma articulação estar comprometida já é suficiente para que se desenvolva atrofia muscular, mas certamente a falta de movimentos completos e a inatividade são fatores coadjuvantes importantes. Em casos extremos, os pacientes necessitam fazer uso de bengalas ou muletas. Raramente um paciente com Osteoartrite de quadris ou joelhos vai para cadeira de rodas.       

 

 

 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

RAIVA, IRRITAÇÃO E COLESTEROL


Raiva pode impulsionar o colesterol em mulheres fora de forma

Fonte: Journal of Behavioral Medicine

Um temperamento hostil pode ser áspero no coração, mas o exercício pode ajudar mesmo as personalidades mais irritadas a evitar doenças do coração, pesquisa sugere.

Em um estudo de 103 mulheres de meia idade, saudáveis, pesquisadores descobriram que aquelas mais irritadas tiveram níveis menos saudáveis de colesterol do que as mais calmas. Entretanto, mulheres que eram irritadas, mas em forma fisicamente, não mostrou nenhuma alteração em seu colesterol.

Porém, nem todas as formas de raiva foram relacionadas a níveis mais pobres de colesterol, de acordo com Aron Wolfe Siegman e seus colegas na Universidade de Maryland em Baltimore.

Por exemplo, a "raiva neurótica", que tem tendência a ter reações hostis às críticas e insultos, não mostrou nenhuma ligação com níveis mais elevados de colesterol ruim (LDL) ou níveis baixos de colesterol bom (HDL).

Por outro lado, as mulheres com temperamentos irritados que tiveram problema em controlar sua hostilidade tenderam a ter um colesterol total e LDL mais elevado.

Após a pesquisa, ligou-se a raiva crônica ao risco de doença do coração. Ainda, similar ao estudo atual, pesquisa nos homens sugeriu que a aptidão física pode opor os efeitos cardiovasculares da raiva.

A falta de controle sobre a raiva pode negativamente afetar os níveis de colesterol, de acordo com a equipe de Siegman. E eles notaram também que este traço da personalidade pode ser relacionado à hormônios como a adrenalina, que foi ligada por sua vez aos aumentos do colesterol na pesquisa animal.

Além disso, o controle da raiva foi relacionado a um colesterol mais pobre e em mulheres inadequadas independentemente da idade, massa corporal e hábito de fumo.

No lado mais brilhante, dizem os pesquisadores, suas descobertas sugeriram também que as pessoas mais irritadas podem ajudar seus corações praticando bastante exercício físico.

 

 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

EXERCÍCIO EM ALTITUDES

Alterações Atmosféricas
À medida que subimos em altitude, a capacidade de desempenho atlético diminui, a partir de altitudes tão baixas como os 1500 metros. Esta redução torna-se cada vez mais significativa, até atingir valores de 80% do VO2max e mais de 30% da FCmax a 8850 metros de altitude.

O principal motivo das alterações observadas é a diminuição da pressão atmosférica: dado que a nossa atmosfera atinge uma altitude mais ou menos constante em todas as regiões do planeta; em altitudes elevadas teremos um menor volume de ar por cima de nós. O "peso" desse ar por unidade de superfície (mm2) resulta numa pressão atmosférica inferior.

A diminuição da pressão atmosférica provoca a expansão das moléculas de ar, o que faz com que um determinado volume de ar inspirado tenha menos moléculas de oxigénio do que ao nível do mar. A percentagem de oxigénio mantém-se igual (cerca de 21%), pois a composição da atmosfera é constante até altitudes superiores a 20.000 metros. No entanto, a pressão parcial de O2 (quantidade de moléculas deste gás num determinado Volume de Ar) no cume do monte Everest diminui para cerca de 43 mmHg, em contraste com 149 mmHg ao nível do mar.

Paralelamente à diminuição da Pressão Atmosférica, dá-se uma drástica diminuição da humidade e da temperatura do ar. Estes dois factores encontram-se associados, na medida em que a diminuição da temperatura do ar provoca uma diminuição do ponto de saturação, isto é: quanto mais frio o ar se encontra, menos humidade consegue suportar sem que haja condensação. Assim, a diminuição da humidade relativa é, em termos absolutos, ainda mais significativa do que pode parecer, ou seja: uma humidade relativa de 30% num ambiente com uma tempreatura de -30ºC representa uma quantidade de "moléculas de água por Litro de Ar" muito inferior à que encontramos num ambiente com humidade relativa idêntica (30%) mas temperatura de 30ºC.

A diminuição da temperatura e da humidade contribuem também de forma significativa para a degradação da capacidade física. No caso da temperatura, o nosso organismo tem de gerir o fluxo sanguíneo de forma a conseguir levar o sangue a todas as regiões do corpo, mantendo o calor e ao mesmo tempo o trabalho muscular. A diminuição da humidade do ar agrava esta situação porque provoca um aumento da desidratação que dificulta ainda mais a manutenção da temperatura corporal e o "abastecimento" das células: a desidratação acarreta uma diminuição do volume sanguíneo e um aumento da viscosidade do sangue que dificulta a irrigação, especialmente ao nível das extremidades. A irrigação deficiente faz com que as células arrefeçam e/ou deixem de receber o oxigénio e nutrientes necessários, facilitando o aparecimento das congelações.

Adaptações à Permanência em Altitude
Nos primeiros dias em altitude, a Ventilação aumenta consideravelmente, bem como a Frequência Cardíaca (e o débito cardíaco - volume de sangue bombeado por minuto). A difusão do oxigénio nos alvéolos pulmunares diminui, devido ao aumento do líquido intersticial (um "ligeiro edema pulmunar temporário"), que se resolve em 24-48h e à diminuição da sua pressão parcial, facto que se torna ainda mais importante em esforço, devido à redução do tempo de trânsito dos glóbulos vermelhos, provocado pelo aumento do débito cardíaco (aumento da velocidade do sangue nos pulmões).

O aumento da FC leva também ao aumento da pressão arterial pulmunar provocando a perfusão de maior número de capilares e aumentando assim a área total de trocas gasosas, na tentativa de contrariar a falta de oxigénio. A nível celular, aumenta a densidade capilar (número de capilares sanguíneos/mm2), número de mitocôndrias e concentração de mioglobina, registando-se também outras alterações enzimáticas que benefíciam o metabolismo aeróbio.

A nível sanguíneo, observa-se uma redução temporária do plasma circulante (5 a 10%) e um aumento da produção de glóbulos vermelhos, que demora várias semanas (6 a 8 para uma adaptação de 90%) a concluir (de cerca de 140g/L para 170g/L). A diminuição do plasma é muitas vezes agravada pela habitual desidratação, se não se aumentar consideravelmente a ingestão de líquidos.
A permanência em Altitude (vários anos) conduz ao aumento do volume pulmunar e da capacidade de difusão do oxigénio.

Aclimatação
Consiste na estabilização das adaptações fisiológicas mencionadas, ao longo de um período variável, consoante a altitude e as características individuais. Este processo consiste em alterações a vários níveis: estabilização da ventilação e Freq. Cardíaca (em patamares mais elevados); aumento da produção de glóbulos vermelhos; aumento da densidade capilar e da concentração de mitocondrias; regulação do pH sanguíneo e outras alterações a nível enzimático nos processos relacionados com a fonte aeróbia (ver: Fisiologia).

A duração do processo de aclimatação varia com a altitude em causa, mas pode dizer-se que até cerca dos 3000 metros, não é (normalmente) necessário um período de aclimatação, desde que não se realizem esforços violentos. A velocidade com que todo o processo se desenrola depende ainda das características individuais, como a condição física, hereditariedade e experiência. Sabe-se que aqueles que já aclimataram várias vezes a altitudes elevadas, conseguem adaptar-se mais rapidamente, mas as razões que levam a isto ainda não são consensuais.

Em termos estritamente fisiológicos, mesmo nas altitudes a partir de 2000 metros, o processo de aclimatação só estabiliza ao fim de pelo menos 2-3 semanas. Em altitudes na ordem dos 4500 metros já se recomenda 3 a 4 semanas e, a partir dos 5500 metros, pensa-se não ser possível uma aclimatação completa. As alterações de natureza respiratória e bioquímica costumam estabilizar ao fim de 6 a 8 dias. A nível sanguíneo, o aumento da quantidade de glóbulos vermelhos circulantes demora cerca de 6 semanas; ao fim de 10 dias, já se deram 80% das adaptações necessárias, mas são necessárias cerca de 6 semanas para se atinjir os 95% de adaptação.

Recomendações para o Processo de Aclimatação
Estas recomendações são bastante consensuais, embora dependam de um grande número de variáveis. Vários fatores podem promover uma aclimatação mais rápida ou atrasar o processo, pelo que devemos sempre estar atentos aos sintomas de "Mal-de-montanha".
Resta referir que, ao dizermos "...entre 3.000 e 5.000m...", referimo-nos à aclimatação desejável para actividades mantidas a estas altitudes e não a uma ascensão rápida e esporádica.

Até altitudes de cerca de 3.000m (a verde na imagem), para esforços de média intensidade, pode não ser necessária aclimatação. No entanto, recomenda-se uma estadia de 3 a 4 dias em altitude intermédia (cerca dos 2000m) ou a mesma estadia de 3 a 4 dias a 3000m, em repouso.

Entre 3.000 e 5.000m (a azul), recomenda-se um período de uma a três semanas, com um limite de ascenção de 300m/dia e um dia de repouso a cada 1000 m de ascenção. A somar ao período recomendado anteriormente, a aclimatação devia incluir uma nova estadia de 3 a 4 dias entre os 3700 e os 4000m.

A partir dos 5.000m (a vermelho), não basta progredir lentamente; devem-se realizar ascenções programadas, regressando a altitude inferior para pernoitar, permitindo assim uma recuperação mais rápida (cumprindo a velha máxima: "climb high, sleep low"). Como, À medida que a altitude aumenta, também aumenta o efeito das variáveis individuais, é fundamental que cada um acumule a experiência necessária, de forma gradual, melhorando o conhecimento que tem de si próprio e das suas reacções à altitude, de forma a aprender a reconhecer todos os sinais e sintomas que o seu organismo lhe possa transmitir, porque essa é a única forma de evitar complicações...

Conclusões
Uma aclimatação correcta é a que permite ascender à altitude pretendida, sem a ocorrência do "Mal de Montanha".

Mal-de-Montanha (Acute Mountain Sickness - AMS)
A doença de altitude ou "mal-de-montanha" aparece quando a aclimatação é inadequada e consiste em problemas como a dor de cabeça, náusea, vómitos ou anorexia e, em casos mais graves, edema pulmunar ou edema cerebral. O edema pulmunar pode ser confundido com uma gripe, já que os sintomas podem ser febre e congestionamento das vias aéreas. Em qualquer caso, desde que os primeiros sintomas não passem por si, recomenda-se o regresso a altitudes inferiores.
Sintomas comuns: Dor-de-cabeça, náusea, vómito, fadiga geral, anorexia, tonturas e perturbações do sono;
Sintomas extremos: consciência alterada, cianose, perturbações respiratórias graves, descoordenação motora (pode ser sinal do aparecimento de edema cerebral);
Tratamento: repouso (se necessário, tratamento sintomático). Em casos graves: descida e/ou tratamento médico (câmara hiper-bárica e medicação adequada).
O AMS pode evoluir para Edema Pulmunar ou Cerebral, casos em que é necessária a descida imediata, oxigénio e tratamento médico especializado.

Edema Cerebral
Sintomas: descoordenação, confusão, perda de memória e alucinação, bem como dor de cabeça persistente. Normalmente também existe cianose e edema pulmunar; Os sintomas são habitualmente mais notórios ao amanhecer e entardecer; Sempre que se detectem os sintomas, o indivíduo deve ser forçado a descer, uma vez que a ataxia (descoordenação e desequilíbrio) evolui rapidamente; As vítimas devem ser impedidas de voltar a subir, mesmo depois de desaparecerem todos os sintomas; No caso de perda de consciência, a vítima deve ser hospitalizada rapidamente.


Edema Pulmonar
Consiste no preenchimento dos alvéolos pulmunares com líquido intersticial, proveniente dos capilares (devido à hipertensão pulmunar); Tem maior incidência (>10X) em jovens (10 aos 18 anos).
Sintomas: dificuldade respiratória e fadiga anormais; fraqueza; sensação de aperto no peito; tosse persistente, que começa por ser seca, mas evolui para espectoração esbranquiçada e (mais tarde) ensanguentada; cianose (tom azulado nas extremidades, lábio, etc, consequência da falta de oxigenação); perturbações da consciência, delírio, comportamento irracional.
Tratamento: descida imediata, oxigénio e/ou câmara hiperbárica; tratamento médico especializado.