"BENEFÍCIOS DO AGACHAMENTO PROFUNDO"
O agachamento profundo é uma posição natural que acompanha o ser humano desde antes dos móveis existirem. Em diversas culturas, sentar próximo ao chão ainda é uma forma de descanso, socialização e preparo para atividades diárias. No entanto, à medida que o mundo moderno se afastou dessa postura, também surgiram queixas relacionadas à mobilidade, rigidez nos quadris e desconforto lombar. Essa mudança mostra como o corpo se adapta ao que faz com frequência. Se deixamos de agachar, agachar passa a parecer difícil. 
Biomecanicamente, o agachamento profundo envolve quadris, joelhos, tornozelos, coluna e musculatura estabilizadora. Quando realizado com calma e consciência, pode ajudar na mobilidade da cadeia posterior, no alongamento da região lombar e na ativação do assoalho pélvico. Outra área beneficiada é o tornozelo, que precisa de boa dorsiflexão para permitir que o corpo desça sem colapsar a postura. Não por acaso, muitos fisioterapeutas utilizam essa posição como teste de mobilidade funcional. 
Além do aspecto musculoesquelético, existe um componente interno interessante. Em algumas pesquisas e discussões clínicas, o agachamento profundo aparece relacionado ao posicionamento do intestino durante a eliminação, o que pode facilitar evacuações e reduzir esforço. Isso não significa que a posição seja um tratamento ou que resolva todas as questões digestivas, apenas sugere que a biomecânica do corpo influencia processos internos. A transição entre sentar e levantar também reforça músculos do quadril, que têm papel importante na estabilidade do tronco e na prevenção de quedas ao longo da vida. 
No cotidiano, a capacidade de agachar sem dor é um indicador de funcionalidade. Crianças realizam esse movimento com naturalidade, enquanto muitos adultos precisam reaprender. Conforme a idade avança, a perda de mobilidade pode comprometer ações simples como levantar objetos, amarrar sapatos ou levantar de uma cadeira. Nesse sentido, o agachamento profundo pode ser visto como uma forma de “higiene articular”, ajudando o corpo a manter amplitude de movimento e coordenação. 
É importante ressaltar que cada corpo possui histórico e limitações diferentes. Pessoas com dores agudas ou condições específicas nos joelhos, quadris ou coluna devem buscar avaliação antes de praticar qualquer movimento novo. Para quem pode realizar, começar com poucos segundos e aumentar gradualmente costuma ser uma estratégia acessível. Movimentos conscientes, repetidos ao longo do tempo, geram adaptação. E você, como enxerga esse cenário?
Fonte: Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
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