MUSCULAÇÃO NUNCA FOI SÓ ESTÉTICA. É UMA DAS FERRAMENTAS MAIS COMPLETAS PARA SAÚDE HUMANA
Por décadas, a musculação foi associada quase exclusivamente a estética. Quem treinava buscava braços grandes, abdômen definido, glúteos mais firmes ou “forma para o verão”. A ciência, porém, foi ampliando o entendimento. Hoje, médicos, fisiologistas e geriatras tratam a musculação como um dos principais instrumentos de saúde pública. O corpo humano envelhece. O músculo protege.
A partir dos 30 anos, ocorre declínio natural de massa muscular. Depois dos 50, esse processo acelera. O termo técnico é sarcopenia. Quando o músculo diminui, o corpo perde força, equilíbrio e autonomia. A queda se torna mais provável. A recuperação se torna mais lenta. O metabolismo perde eficiência. A glicose circulante aumenta. A qualidade de vida cai. Isso não tem relação com estética. Tem relação com funcionalidade e sobrevivência.
A musculação interrompe essa trajetória. Estímulos mecânicos repetidos provocam micro adaptações no tecido muscular que, somadas, aumentam força, densidade e capacidade de contração. O músculo se torna mais eficiente, o metabolismo melhora e a glicose encontra destino preferencial: o músculo consome energia. Pessoas com mais massa muscular apresentam menor resistência à insulina e menor risco de diabetes tipo 2.
Além disso, o músculo atua como órgão endócrino. Ele libera mioquinas, substâncias que reduzem inflamação sistêmica, atuam no cérebro, protegem o coração e influenciam ossos. Não é exagero afirmar que o músculo conversa com o organismo inteiro. Quando treinamos, não estamos apenas construindo estética. Estamos construindo bioquímica.
Outro ponto relevante é a densidade óssea. O osso precisa de carga para se manter forte. Treino de força aumenta osteoblastos, que são células responsáveis pela construção óssea. Isso reduz risco de osteoporose, especialmente em mulheres após menopausa.
Na velhice, o benefício é ainda mais claro. Idosos que treinam musculação apresentam menos quedas, menos fraturas, maior independência e menor mortalidade por todas as causas. A musculação devolve autonomia para subir escadas, carregar compras, levantar da cama e caminhar. Quando o músculo se mantém, a vida se mantém.
Por tudo isso, a musculação deixou de ser moda estética e virou protocolo de saúde. O corpo não foi projetado para fragilidade. Ele foi projetado para força.
Fonte: The Lancet Healthy Longevity; Sports Medicine; Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle